"Hoje era um dia em que eu gostaria de sair pra dançar. Dançar até o meu salto quebrar, beber até meu sangue afinar e meus olhos ficarem cansados demais pra se preocuparem com detalhes, rostos, boca, camisa de marca. Dançar até ficar tonta, até meus pés sangrarem, até todo mundo ir embora da pista e o segurança me por pra fora. Manchar meu vestido mais caro de vinho tinto. Queria beijar a boca de todas as mulheres solitárias, enxugar os copos de cada homem tímido jogado em um canto e sair disparando flechas de amores cegos, de tesão, de desejo mórbido.
Hoje eu queria entrar em todas as festas da cidade, beber drinks cafonas de todas as cores e aparecer em todas as fotografias posadas e forjadas, pra todos verem que eu estava lá, dançando até meus pés pedirem água, beijando até a boca criar feridas. Dançar feito uma criança autista. Dançar como uma drag queen vestida de purpurina e mega hair. Dançar com os espelhos do bar, com cada pessoa que me chamasse pelo nome. Dançar até as luzes da cidade se desligarem e as estrelas se dissiparem entre raios tímidos de sol. Porque daí todos veriam que lá, no meio da rua, eu estava dançando, até o alcool acabar e eu cair no ridículo. Dançando até minha meia furarce um pouco de mim morrer no meio de um já esquecido resto de noite."
Autor desconhecido

Se hoje não deu, por que não, sem falta, amanhã?
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